Desde que as medidas de isolamento foram implantadas em vários países, indústrias e instituições de todo o mundo fecharam suas portas e encaminharam seus colaboradores para o trabalho remoto.

Toda
essa demanda exigiu das empresas a implementação, ou manutenção, de
tecnologias que permitissem a continuidade dos negócios, mantendo
hardwares e softwares eficientes à distância de forma segura. À medida
que muitas organizações começam a planejar o retorno da força de
trabalho ao local de trabalho, mais recursos tecnológicos são necessários para fazer a transição.

Steven Norton, Co-Chefe de Redes, Pesquisa e Mídia de CIO na Metis Strategy, em  artigo para a Forbes, diz que embora não haja um cronograma claro para o retorno ao trabalho e os períodos provavelmente variem com base no local, setor e função do trabalho, pelo menos algumas tecnologias desempenharão um papel no monitoramento da saúde e segurança e na criação de uma transição o mais suave possível.

No
topo de muitas listas de desejos corporativos, há um aumento nos testes
para ajudar a restaurar a confiança e garantir a segurança, pois as
empresas consideram trazer alguns funcionários de volta, diz Norton.

Muitas
organizações estão trabalhando para estabelecer uma forma segura e
escalável de rastrear contatos e mapear a propagação do vírus, podendo
assim notificar aqueles que podem ter entrado em contato com um
indivíduo infectado.

Norton conta que Cingapura lançou um aplicativo móvel em março que usava a tecnologia Bluetooth para ajudar a complementar seus esforços existentes, e o MIT está trabalhando em um sistema próprio. Entretanto, os críticos observaram preocupações de segurança e privacidade, e autoridades da cidade-estado disseram que as taxas de adoção voluntária são relativamente baixas.

Na semana passada, a Apple e o Google anunciaram planos para desenvolver software que as organizações de saúde poderiam usar para reforçar suas próprias iniciativas de rastreamento de contatos e proporcionar maior interoperabilidade entre dispositivos iOS e Android, diz o artigo.

Embora
esses aplicativos possam ajudar a fornecer alguma garantia aos
trabalhadores, os esforços liderados pela tecnologia provavelmente
complementarão, em vez de substituir, os métodos tradicionais de
rastreamento do vírus, diz.

A Landing AI lançou
um detector que pode ser usado em conjunto com imagens de câmeras de
segurança para rastrear quando as pessoas se aproximam demais, para
auxiliar no controle da medida de isolamento social. Os dados coletados
podem ajudar as empresas a tomar decisões sobre como redesenhar
escritórios ou fábricas, conta Norton.

A Amazon usou ferramentas semelhantes e disse em uma publicação recente no blog que designou os melhores tecnólogos de machine learning
para “capturar oportunidades em tempo real sobre como podemos continuar
a melhorar o distanciamento social em nossos edifícios usando a
tecnologia”. A Ford está testando pulseiras que vibram quando as pessoas
se aproximam demais, diz o artigo.

Retorno ao local de trabalho

A força de trabalho não deverá voltar de uma só vez, muitas posições continuarão remota, o que, para Norton, significa confiança contínua em ferramentas de colaboração como Zoom, Slack e Microsoft.

Ele diz ainda, em sua coluna na Forbes, que uma nova onda de tecnologias de colaboração e produtividade tem ganhado os executivos. Neste mês, a fabricante de software de colaboração Notion, por exemplo, levantou US$ 50 milhões de investidores em um momento em que muitas startups estão lutando para sobreviver.

A videoconferência e outras formas de colaboração remota não mostram sinais de desaceleração. John Beattie, Consultor Principal da Sungard Availability Services,
disse em uma entrevista, que muitas organizações levantaram
preocupações de “risco de concentração” entre as funções críticas de TI,
o que pode significar que os funcionários que trabalharam no mesmo
escritório estarão espalhados por diferentes locais.

A videoconferência também pode se tornar mais comum entre as pessoas que trabalham no mesmo escritório, enquanto tentam manter distância social. “Eu espero que eles participem de reuniões virtuais em vez de caminhar pelo corredor até as salas de conferência”, disse Beattie.

Sensores e dispositivos conectados

Prédios comerciais tornaram-se cada vez mais conectados nos últimos anos, e é provável que a tendência continue à medida que as empresas recorrem à tecnologia para melhorar a segurança e a limpeza dos edifícios.

Norton diz que além das ferramentas de distanciamento social, pode ser comum que os colaboradores tenham a temperatura medida antes de entrar no escritório. Ele acredita que seja possível ver mais robôs colocados para limpar ou, por controle de voz, acionar o elevador, e assim diminuir as chances de contágio do vírus no local de trabalho.

Empresas como a Estimote desenvolveram
dispositivos vestíveis que podem ajudar no rastreamento de contatos e
permitir que os usuários forneçam atualizações de status sobre sua
saúde. Alguns edifícios podem optar por implantar sensores que possam
medir a qualidade do ar e regular o fluxo dos sistemas de HVAC.

Um
aumento nos dispositivos vestíveis e nos sensores do escritório pode
fornecer dados valiosos às organizações enquanto reorganizam o espaço
físico ou modificam os fluxos de trabalho, diz o artigo.

Além
da preocupação com a saúde física dos colaboradores, programas
corporativos de bem-estar acrescentaram ferramentas para ajudar os
funcionários a gerenciar sua saúde mental e emocional. É provável, diz
Norton, que essa tendência continue à medida que as organizações navegam
nesse período de incerteza e aumento do estresse.

As empresas podem lançar aplicativos como Calm ou Headspace para incentivar a meditação e uma melhor noite de sono. Em uma publicação recente no LinkedIn, Diana Scott, CHRO da Guardian Life Insurance Company of America, disse
que a seguradora nomeou abril como o “Mês da Consciência” e está
implementando várias ferramentas de autocuidado, incluindo uma série de
podcasts e um aplicativo de meditação.

O provedor de serviços de saúde Kaiser Permanente, conta Norton, se uniu ao Livongo para
oferecer um aplicativo que inclui dicas e módulos focados nos
colaboradores que têm filhos, e para ajudar as pessoas a gerenciar o
estresse. É provável que esses tipos de tecnologias continuem
despertando interesse antes mesmo de um amplo retorno ao escritório,
pois as empresas priorizam a saúde e a segurança, diz.

Fonte: CIO